Meu filme favorito: Brincando de seduzir
Posted by Gerdullimai 13
(Recuperei este texto do meu antigo blog, linkado ao lado, por dois motivos: está esfriando; estou para fazer 30 anos. Impossível melhor ocasião para recuperar esta resenha, do meu filme favorito.)
Sabe quando você assiste a um filme, que normalmente não é uma mega produção, e quando ele termina bate uma saudade monstruosa do que acabou de ver, como se não quisesse que jamais terminasse? É disso que estou falando.
Cada pessoa tem seus filmes preferidos, e Brincando de seduzir (Beautiful girls) é o meu, em posição de destaque na estante. Você terá que ir a uma boa locadora para encontrar essa comediazinha romântica dramática lançada em 1996. Aliás, uma locadora que ainda tenha VHS, pois ainda não saiu em DVD. Vá, porque vale a pena.
Brincando de seduzir tem um roteiro ultrassimples e batido. Conta a história de alguns amigos que se encontram no aniversário de formatura da turma, coisa típica de americano. A grande sacada é que o filme não trata da festa, e sim dos losers em que se tornaram esses personagens.
O início é de uma poesia cortante. Willie, o protagonista, interpretado magistralmente por Timothy Hutton, junta as gorjetas de sua noite como pianista. Despede-se do dono do bar e caminha entre o gelo e a neve do inverno americano em direção à rodoviária, a caminho de sua casa e de seu passado.
Ele está em dúvida, repensando os passos, sua história. Apostou seus sonhos em algo que não conseguiu realizar. A volta para casa é, também, uma volta ao início de sua trajetória, uma analise de “onde eu errei?” e “o que faço agora?”.
Tal retorno tem um quê de traumático, afinal só quem viveu em uma cidade pequena sabe: nada muda. Seus amigos, tão losers quanto ele, continuam os mesmos, para o bem e para o mal. Tommy (o básico Matt Dillon) é um limpador de gelo e continua dividido entre duas garotas (Sharon e Daryan – respectivamente Mira Sorvino e Darian Smalls). Paul, em uma excelente interpretação de Michael Rapaport, continua um moleque com zilhões de pôsteres de mulheres nuas nas paredes do quarto. E Mo (o ótimo Noah Emmerich) está casado. Todos eles beirando os 30 anos. Todos eles losers de carteirinha.
Mas, o filme não é sobre homens. É sobre garotas, belas garotas (como sugere o título original). E como essas belas garotas influenciam a vida dos nossos pobres amigos losers.
Willie volta para casa com uma dúvida cruel: casar ou não casar? Seis meses de namoro com uma advogada e lá está ele, na encruzilhada, sem nem sequer saber sobre si mesmo.
Marty (Natalie Portman – perfeita no papel), como uma Lolita de Nabukov, ou uma Joey de Kevin Willianson, sempre com a palavra certa na hora certa, é uma bela garota. Uma bela garota de… 13 anos. Só os diálogos de Willie e Marty já valem o filme.
Gina (a genial Rosie O’Donnell) é outra suposta bela garota. Seu “solo” no supermercado explicando que homens sonham com modelos (irreais), mas casam com as normais (reais), consiste em outro grande momento.
E Andera (Uma Thurmam, indispensável), bem, é publicitária e renova a improvável equação “garota bonita e inteligente”. Frases como “tudo que eu preciso é de um cara que me chame de docinho na hora de dormir” ou “tudo que eu preciso à noite é de um dry martini e Van Morrison” ficam ressoando na cabeça durante dias.
A trilha sonora é excelente e centrada basicamente em standards americanos. Coisas como Me and Mrs. Jones, de Billy Paul, ou Sweet Caroline, de Neil Diamond, que rendem outros dos grandes momentos do filme.
Traz também belas canções perdidas no tempo, como Graduation day, do cavaleiro solitário Chris Isaak, I’ll miss you, do Ween, e uma dobradinha sensacional dos americanos dos Afghan Whigs, fazendo covers de duas canções — uma delas de Barry White —, com direito a ponta em um pub tocando a maravilhosa Be for real, para embalar a dança de Andera e Paul.
No geral, Brincando de seduzir é cinema sem pretensão, com o intuito único de mostrar as dificuldades da passagem tardia para a vida adulta. Consegue bem isso. Consegue divertir e fazer pensar.
Afinal, onde eu errei? O que faço agora? Sedução é brincadeira? O que é real? O que você imagina ou imaginava estar fazendo aos 30 anos? Isso é cinema.
Direção: Ted Demme. 1996. 113 min.
Música do dia: Sweet Caroline, Elvis Presley.
Cada pessoa tem seus filmes preferidos e Brincando de Seduzir (Beautiful Girls) é um dos meus, em posição de destaque na estante. Você terá que ir a uma boa locadora para encontrar essa comediazinha romântica dramática lançada em 1996. Aliás, uma locadora que ainda tenha VHS, pois ainda não saiu em DVD. Vá, porque vale a pena.
Brincando de Seduzir tem um roteiro ultra-simples e batido. Conta a história de alguns amigos que se encontram no aniversário de formatura da turma, coisa típica de americano. A grande sacada é que o filme não trata da festa, e sim dos losers em que se tornaram esses personagens.


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